quinta-feira, maio 21, 2009

putas

"Once when Henry was away for a few days at a conference at Bournemouth, I picked up a girl and brought her back. It wasn't any good. I knew it at once, I was impotent, and to save her feelings I told her that I had promised a woman I loved never to do this with anyone else. She was very sweet and understanding about it: prostitutes have a great respect for sentiment."

Graham Greene, The End of the Affair, Vintage Classics, p. 142.

quarta-feira, maio 20, 2009

a escola

Via Ana Cristina Leonardo, chego a este excelente texto de Ferreira Fernandes sobre a professora de História que tentou dar uma aula de educação sexual aos alunos (nem sei bem se a história é essa e já vi umas vinte reportagens sobre isso na Sic Notícias). Assim, sem pensar muito, lembro-me dos professores que apalpavam alunas nas aulas de educação física (havia um, o Lino, que tinha tanta classe que as apalpava no preciso momento em que elas tocavam com as mãos no boque depois de saltarem no trampolim), daqueles que berravam até os olhos saltarem das órbitas (e que nos enchiam de perdigotos), de uma que estava com a vagina sempre encostada ao bico da mesa (isto é capaz de ser imaginação minha), e da professora que fechou a braguilha ao aluno no nono ano (a mesma que chamou paneleiro a um gajo por ter furado a orelha). A escola sempre foi um sítio maravilhoso. Não é por nada que, há medida que os anos passam, cada vez mais queremos voltar para lá.

segunda-feira, maio 18, 2009

Graham Greene (2)


Nos últimos dias aprendi que este gajo também se chama Graham Greene, informação que nunca vou esquecer até ao fim da vida, embora não me importasse de o fazer.

Graham Greene

Tenho tido alguma dificuldade em encontrar nas páginas amarelas um pelotão de fuzilamento que me trate do pêlo. Queria uma coisa limpa, com pólvora de qualidade e uma baioneta, pelo sim pelo não, só para me dar a estocada final (não confio em pelotões de fuzilamento portugueses, mas os russos são careiros). Estou a ler o The End of the Affair pela primeira vez aos vinte e seis anos. Vinte e seis anos sem ler o The End of the Affair. Até à página quarenta e seis sublinhei, assim por baixo, sessenta e cinco por cento do livro.

quarta-feira, maio 13, 2009

menomale che Silvio c'è

Isto é absolutamente hilariante. Tirado daqui, um dos bons espaços que a internet oferece. Já conheci tanta gente inteligente que vota Berlusconi. Em Roma, onde vivi, não conheci nenhum. Verdade que não me esforcei muito. Em Inglaterra conheci uns quantos, gente inteligente, que estudava filosofia e tudo (pareço José Sócrates a falar de Vital Moreira). Não me lembro bem porque razão o faziam, mas sempre me pareceu ser por desespero pelas alternativas. O sistema político italiano não é propriamente estável.

segunda-feira, maio 11, 2009

a feyra

A feira do livro de lisboa tem, este ano (dizem-me que já tinha no ano passado), o magnífico pavilhão Leya (uma feira dentro da feira). O magnífico pavilhão Leya tem pouffes, um pequeno auditório e vitrinas. Dizem-me que tem muitas novidades e poucos fundos. Tem também, em respeito do espírito de qualquer feira, alarmes em ambas as entradas. É simpático. Não consigo concluir nada sobre isto. Acho triste. Alguns dirão que são sinais do tempo. O mercado livreiro vai (está?) mudar e mais novidades virão. Vai-se profissionalizar, vai adoptar as melhores técnicas de gestão (a universalidade da gestão é uma espécie de feitiço moderno; o bom gestor gere qualquer coisa. Salta do banco para o hospital e do hospital para a editora). Era demasiado fragmentado. Haviam poucas economias de escala, poucas sinergias, custos demasiado elevados. Tive uma vez numa conversa com o director da Leya, um Isaías qualquer coisa, onde ele disse que tinha lido os Irmão Karamazov e que gostava muito. Também disse que tinha despedido pessoas, o que lhe custava muito mas que tinha tratado todos um por um. Alguém lhe perguntou quantas pessoas é que ele tinha despedido mas ele não soube responder. Há um espaço entre os alarmes e as bancas que os ladeiam. Passem por aí, nem que seja para dar trabalho ao segurança.

a feira

Reparem bem, caras leitoras, no que se passa entre nos dez primeiros segundos do primeiro minuto. É maravilhoso. Se fosse aceite em tribunal, aquilo ilibava qualquer acusação. Numa perspectiva mais política e social, parece-me que o impacte das manifestações do dia do trabalhador seria bastante maior se toda a gente se vestisse como os Jackson 5 e se fizessem o que o Michael Jackson faz nesses dez segundos ao longo de toda a Avenida Almirante Reis. Eu, como qualquer gajo que se preze, gosta de sindicatos (os economistas não gostam, porque, em grande medida, também não gostam de economia). Considero-os importantes para o bom funcionamento de qualquer país. Agora, a minha outra metade de pessoa com extremo bom gosto não pode deixar de ficar preocupado sempre que vê um qualquer sindicalista a bramar na televisão. O sindicalista tem que ser um gajo inteligente e flexível, com boa preparação. Não pode ser um aparatchik ou alguém ideologicamente cego. A péssima ideia que as pessoas têm dos sindicatos parte exactamente desse problema. Não admira portanto que confundam forma com substância, quando não viram outra forma que não a presente.

quarta-feira, maio 06, 2009

esta capa é deslumbrante


Nicolson


Convenhamos que não é qualquer homem que se casa com uma pessoa chamada Vita Sackville-West, senhora que, vejo agora, manteve um romance com Virginia Woolf. Mais, Orlando de Woolf é inspirado em Vita. Citando do diário de Woolf, a 5 de Outubro de 1927: "And instantly the usual exciting devices enter my mind: a biography beginning in the year 1500 and continuing to the present day, called Orlando: Vita; only with a change about from one sex to the other".

quem é amigo, quem é?

Aconselho vivamente a leitura de tudo o que o Harold Nicolson escreveu. É um dos meus seres humanos preferidos. Reparem só neste detalhe biográfico:

"Nicolson and his wife practiced what today would be called an open marriage. They each had a number of same-sex affairs, and once Harold had to follow Vita to France, where she had "eloped" with Violet Trefusis, to try to win her back. However, they remained happy together – in fact, they were famously devoted to each other, writing almost every day when they were separated, for example, because of long diplomatic postings abroad. Eventually, he gave up diplomacy, partly so they could live together in England."