terça-feira, janeiro 13, 2009

Obama


O Obama tem um belo cruzar de perna.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Fico especialmente horrorizado com as visões de alguns comentadores de 'política internacional' sobre o conflito do Médio Oriente. Não que as outras análises não me causem repugna, causam. Fico indisposto sempre que leio textos com títulos como "um cessar-fogo em Gaza não resolve nada", que era o título do editorial da Revista Sábado da semana passada. Nada, à excepção de, desde o dia em que a revista saiu, uma centena de vidas talvez. Mas algum 'especialistas' primam pelo mau gosto, especialmente aqueles que gostam só de factos e se consideram sábios conhecedores do cálculo político. É o caso do Bernardo Pires de Lima que, nos dois textos (1, 2) que lhe li sobre o conflito, trata a questão como um jogo eleitoral puro, manobrado por Livni e Barak para disputarem o que parecia ser uma eleição perdida à partida para Netanyahu. Em ambos o argumento é o mesmo: o Hamas deu a Israel o que o actual governo de Israel queria. Segundo Pires de Lima, Israel procurava um pretexto para destruir o Hamas e agora vai faze-lo. Daí que o Hamas tenha feito um 'favor' e que Israel tenha levado a cabo uma operação 'militarmente brilhante'. E onde estão os civis neste quadro todo? Não estão. Ou melhor, estão subordinados ao objectivo central, que é destruir o Hamas. Daí que Pires de Lima não se coíba de afirmar que a operação é também oportuna porque, ao destruir o Hamas, Israel fica com a Fatah como interlocutor único, o que possibilita a criação de dois Estados.

O 'perito', como o 'cientista político' tem destas coisas. De tanto cálculo, de tanta estratégia, de tanta distância e análise clínica, acaba por se desdobrar em análises imaculadas e elegantes, mas que no fundo não fazem sentido nenhum, porque de humano pouco ou nada têm. A facilidade com que Pires de Lima exalta as proezas militares Israelitas com o objectivo de destruir o Hamas, menorizando, por omissão, a miséria e a morte dos civis palestinianos que vivem em Gaza, diz também muito da estranha espécie de conservadorismo que alguns apregoam. Arrogantes e convencidos, tão certos estão da nobreza dos seus fins que se esquecem de olhar aos meios usados para os alcançar.

Arendt



Depois de ler este interessante artigo de Adam Kirsch - o mesmo Kirsch que ainda há semanas escrevia uma texto no mínimo preguiçoso sobre Zizek - sobre Hannah Arendt e o interesse que tem ressurgido no seu trabalho, surge-me como escolha quase óbvia para melhor livro lido por mim no ano que passou, Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil. As razões para escolha serão esgrimidas ainda hoje, espero, caso haja disponibilidade e paciência. Leiam por favor. Todos devíamos ser obrigados a ler isso.

Passion Pit

The Boston, MA-based Passion Pit began as a one-man project of singer and songwriter Michael Angelakos to produce a Valentine's Day gift for his girlfriend. The gift, an EP entitled Chunk of Change, soon wound up in the hands of friends and acquaintances, who were enthralled with the work. (tomei conhecimento destes seres via Sound + Vision).

O EP é bem giro. Bom, já que se escreve sobre esta espécie de pop que é o pop índio, confesso-me perplexo por haver uma quasi unanimidade no que respeita à nomeação do disco homónimo dos Vampire Weekend como um dos discos do ano passado. A sorte é que, por certo, serão todos obrigados a comer os encómios quando o álbum tiver sucessor. Eu sei que alguma animosidade extra pode toldar o espírito crítico, mas nunca consegui engolir aquela merda de eles gostarem de caracterizar a música deles como Upper West Side Soweto. Irrita-me. Soa-me a Hippie Chic. Além do mais, acho que lhes falta aquela decandência fundamental que sustenta a magia do rock índio (se bem que estes Passion Pit também me parecem ser excessivamente cheirosos). Também me preocupam os elogios palavrosos aos Last Shadow Puppets. É giro, tem umas canções interessantes, o tipo tem uma pronúncia engraçada, algumas melodias são jeitosas, e, por vezes, as linhas da voz são inesperadas e resultam bem. Mas é isso. Pronto, é bem orquestrado. Tem uns metais engraçados aqui e ali. As letras têm substância e vê-se que não há uma procura pela rima fácil. Pronto, ok. Last Shadow Puppets até pode ser mais giro do que eu achava antes de começar a escrever a série de coisas positivas que escrevi sobre eles. Há uma falha contudo: falta um bocadinho de violência na música (não nas letras) que o indie deve ter, nem que seja para mostrar se lhe for pedido. Ainda que, biograficamente falando, o gajo dos Puppets, que pertence aos Monkeys, namore com a Alexa Chung. O que é uma espécie de violência.

domingo, janeiro 11, 2009

onion

E pronto, a Revista Única do Jornal Expresso, o semanário de referência, cita o site satírico The Onion numa notícia, como sendo uma fonte fidedigna. É maravilhoso um ser humano constatar que se chegou ao fim da linha em alguma coisa, não é? Pronto, acabou. Finito. Não há mais confiança disponível. Os mais cínicos podem perguntar se supreende; a resposta é negativa. Não surpreende, todos sabíamos que vinha a caminho algo do género. Um dia, num futuro próximo, jovens doutorados terão escrito teses de doutoramento com base no Wikipedia apenas. Mas, mesmo não sendo uma surpresa, choca sempre quando acontece. E pronto, cá está. Dia 10 de Janeiro de dois mil e nove. Adorava que o Ezra Pound tivesse vivo para escrever um canto sobre isto.

sábado, janeiro 10, 2009

hoje acordei assim


fotografia de Martin Schoeller aqui.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

fora de jogo

Em caso de dúvida, beneficia-se sempre o atacante.

sábado, dezembro 27, 2008

natal


O ponto alto do Natal é este belo Andric, editado pela Cavalo de Ferro (já tentei escrever tanta coisa sobre o A Ponte sobre o Drina, é um livro maravilhoso). Não de somenos importância são os dois primeiros volumes dos contos de Tchékhov, editados pela Relógio de Água, o maravilhoso Cultural Amnesia de Clive James, pela Picador, e Mason & Dixon de Thomas Pynchon, também da Picador. Tudo somado, tenho pela frente duas mil oitocentas e vinte e seis páginas, o que diz quase tudo sobre o apreço que as pessoas têm pela minha companhia. Gostam de mim versão bibelot, sentadinho a ler, sem fazer muito barulho. Contudo, o pináculo da quadra foi o disco dos Linkin Park que me oblataram. Ideal para acompanhar a leitura de Os Passos em Volta de Herberto Helder, editado pela Assírio e Alvim.

obrar

O discurso em relação à presidência da câmara municipal de Lisboa acaba sempre por redundar em discussões espúrias sobre quem deixou mais obra. Vai-se de Abecassis a Costa, numa tentativa de avaliar quem deixou mais obra feita. Conclui-se, com preocupante naturalidade, que ninguém deixou obra. A excepção é, dizem, Santana Lopes e o túnel. O caso é paradigmático, dado que ainda está por concluir quem fez o quê: se foi Santana quem fez o túnel ou se foi o túnel que fez Santana. Ambas as opções estão na mesa. É interessante a preocupação por obra feita. Se há coisa que se vê na capital é obra feita. Um desastre. Atrevo-me a dizer que melhor obra dos últimos anos é a remoção da passadeira pedonal de Alcântara, que desapareceu na primeira semana de Outubro deste ano. Numa cidade onde planeamento e urbanismo são palavrões, a melhor obra é a não obra. Infelizmente, não me parece que isso venha a acontecer. Venha quem vier, o mais provável é que continue a obrar em cima de Lisboa.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

diplomatic shagfest

"Women were central to the Congress of Vienna. Zamoyski almost loses count of the number Metternich slept with. Talleyrand did an Alan Clark by sleeping with a mother and her daughter. Tsar Alexander took his revenge on Metternich (who opposed the Russian desire to incorporate Poland as a Russian province) by sleeping with his mistress. And of course Britain joined this diplomatic shagfest by sending the handsome young Frederick Lamb to sleep with Metternich's mistress. Pillow talk provided the principals with information on what their rivals were up to".

Parágrafo da recensão de Denis MacShane ao, segundo me dizem, excelente Rites of Peace: The Fall of Napoleon and the Congress of Vienna, de Adam Zamoyski (Londres: Harper Press).

ps. O Congresso de Viena (1815) é considerado o apogeu da diplomacia europeia.