
O Obama tem um belo cruzar de perna.

Depois de ler este interessante artigo de Adam Kirsch - o mesmo Kirsch que ainda há semanas escrevia uma texto no mínimo preguiçoso sobre Zizek - sobre Hannah Arendt e o interesse que tem ressurgido no seu trabalho, surge-me como escolha quase óbvia para melhor livro lido por mim no ano que passou, Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil. As razões para escolha serão esgrimidas ainda hoje, espero, caso haja disponibilidade e paciência. Leiam por favor. Todos devíamos ser obrigados a ler isso.
The Boston, MA-based Passion Pit began as a one-man project of singer and songwriter Michael Angelakos to produce a Valentine's Day gift for his girlfriend. The gift, an EP entitled Chunk of Change, soon wound up in the hands of friends and acquaintances, who were enthralled with the work. (tomei conhecimento destes seres via Sound + Vision).
O EP é bem giro. Bom, já que se escreve sobre esta espécie de pop que é o pop índio, confesso-me perplexo por haver uma quasi unanimidade no que respeita à nomeação do disco homónimo dos Vampire Weekend como um dos discos do ano passado. A sorte é que, por certo, serão todos obrigados a comer os encómios quando o álbum tiver sucessor. Eu sei que alguma animosidade extra pode toldar o espírito crítico, mas nunca consegui engolir aquela merda de eles gostarem de caracterizar a música deles como Upper West Side Soweto. Irrita-me. Soa-me a Hippie Chic. Além do mais, acho que lhes falta aquela decandência fundamental que sustenta a magia do rock índio (se bem que estes Passion Pit também me parecem ser excessivamente cheirosos). Também me preocupam os elogios palavrosos aos Last Shadow Puppets. É giro, tem umas canções interessantes, o tipo tem uma pronúncia engraçada, algumas melodias são jeitosas, e, por vezes, as linhas da voz são inesperadas e resultam bem. Mas é isso. Pronto, é bem orquestrado. Tem uns metais engraçados aqui e ali. As letras têm substância e vê-se que não há uma procura pela rima fácil. Pronto, ok. Last Shadow Puppets até pode ser mais giro do que eu achava antes de começar a escrever a série de coisas positivas que escrevi sobre eles. Há uma falha contudo: falta um bocadinho de violência na música (não nas letras) que o indie deve ter, nem que seja para mostrar se lhe for pedido. Ainda que, biograficamente falando, o gajo dos Puppets, que pertence aos Monkeys, namore com a Alexa Chung. O que é uma espécie de violência.
