segunda-feira, outubro 20, 2008

biblioburro


"By the time he was in his 20s, Colombia's long internal war had drawn paramilitary bands to the lawless marshlands and hills surrounding La Gloria, leading to clashes with guerrillas and intimidation of the local population by both groups.
Into that violence, which has since ebbed, Soriano ventured with his donkeys, taking with him a few reading textbooks, encyclopedia volumes and novels from his small personal library. At stops along the way, children still await the teacher in groups, to hear him read from the books he brings before they can borrow them".

Um artigo de Simon Romero no International Herald Tribune, 20 de Outubro de 2008.

domingo, outubro 19, 2008


Soberbo ensaio fotográfico da New Yorker sobre aqueles que serviram no Afeganistão e no Iraque.

sexta-feira, outubro 17, 2008

isto é muito bonito

"De certa maneira, esta concepção do 'poema contínuo', da obra como poema único que pode ser ampliado sem quebras, responde à exigência de caminhar para um ponto onde só a linguagem age, com todo o seu poder, suprimindo a pessoalidade e, de certa maneira (não como Mallarmé, mas também não o ignorando), erradicando o autor. Na poesia de Herberto Helder não há psicologia, nem confidencialidade, nem biografia - estamos num outro mundo, mais difícil de reconhecer e habitar. O que nela emerge é uma paixão puramente literária.
Ora, em 'tempos de redundância', o grande 'escândalo' de Herberto Helder é o de se furtar à esfera mundana da 'vida literária', deixando que apenas a sua obra exista e siga o seu curso sem quaisquer interferências do exterior. Repare-se que a única entrevista que se lhe conhece é uma 'auto-entrevista'.
Esta atitude, que não devemos reconduzir a uma mera 'idiossincrasia', ganha hoje um sentido fundamental. O que é que se acelerou nas últimas décadas? Acelerou-se a perda de autonomia dos escritores e do campo literário em geral, um campo que deixou de reivindicar o direito a ser ele próprio a definir os princípios que o legitimam. A legitimidade passou a ser outorgada pela instância do mercado e por factores mundanos, que ditam as regras da consagração. E a literatura de entretenimento ganhou um poder desmesurado, quase deixou de ser reconhecível como tal, como se só ela existisse. Por isso é que a obra de Herberto Helder é intempestiva: conduz-nos para um espaço e um tempo que lançam um forte desafio a todo o contexto, não apenas o literário; fala um 'idioma' que é cada vez mais difícil escutar".


António Guerreiro in Actual, 11.10.2008

quinta-feira, outubro 16, 2008

Rumsfeld

A nova moda nos blogues ditos políticos é escrever o que se pensa efectivamente e fazer um traço por cima. Já repararam na suprema estupidez dessa prática? Para os mais incautos, passa-se assim: alguém escreve “Mefistófeles é um comunista socialista da pior espécie” querendo dizer que o referido é um comunista (mas é mais socialista. Eu também não domino bem isto, não vos vou mentir). Ao que Mefistófeles responde: “Não sou não. O Parménides é que é um neoliberal liberal desde os teus tempos de Opus Dei Planalto. Eu sou um oximoro ambulante liberal-conservador”. E assim sucessivamente. O artifício tem de facto uma certa piada pois permite que toda a gente leia aquilo que efectivamente pensamos mas que não queremos dizer, mas que acabamos por dizer, embora tenhamos rasurado a palavra que transmite o verdadeiro sentido que queremos dar à coisa. Tenho duas palavras para isto: atroz soberbo, duma-estupidez-nunca-antes-vista revolucionário. Ainda bem que o Acordo Ortográfico já foi aprovado.

Sugiro que vão mais longe (e isto é para a esquerda, que normalmente percebe melhor o Lacan do o mesmo se percebia a si próprio) e que arranjem um esquema qualquer, desta feita para que deixem escrito os elementos psicoanalíticos que vos levaram a escrever o que escreveram. Ou seja, já escrevem o que querem escrever e o que queriam ter escrito. Eu sugiro que escrevam também o que queriam ter escrito mas não escreveram porque não sabem que o queriam ter escrito. Pondo isto em termos Rumsfeldianos (até o Bush percebe isto): há coisas que vocês sabem que sabem, coisas que vocês sabem que não sabem, coisas que vocês não sabem que sabem e coisas que vocês não sabem que não sabem. Eu gostava que vocês começassem a passar tudo isso.

Sinceramente vosso.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Nurgül Yesilçay


terça-feira, outubro 14, 2008

João Pereira Coutinho

A segunda nota (ou o purgatório na escala do João Pereira Coutinho na sua coluna do Expresso – que tinha, acho que) [Borrifei no parêntesis] {curvo, claro, não no recto}.
Recomeçando: foi soberba a crónica do JPC na última Única sobre o programa “A Liga dos Últimos”, na qual ele afirmava que aquilo já só fazia pena. Que os gajos só iam buscar o mais podre e analfabeto, o velho doente e bêbedo da terra mais esconsa, para nós, os da urbe, nos rirmos. É verdade. Sempre gostámos de nos rir da desgraça alheia, mais ainda quando mediada pela televisão. O capitão Moura é um alcoólico, que deve ter espancado mais que uma mulher na vida até chegar aos ecrãs das nossas salas. Pensai nisso antes de vos rirdes, disse-me o JPT directamente do Inferno. Quando o abismo fala comigo eu tendo a ouvi-lo (recomendo a leitura do livro de crónicas brasileiras do JPC. Li-o um pouco ao calhas no Verão e é muito engraçado, em especial a primeira parte. Bastante melhor do que aquilo com que ele nos brinda no suplemento supracitado).

crise

Isto vai para aqui uma crise que nem vos quero dizer nada para não vos magoar involuntariamente – coisa que faço desde que escrevi as minhas primeiras palavras por aqui. Mas isto está muito mau. No momento em que vos escrevo, depois da ingestão de um iogurte natural com pêra, já li o equivalente literário ao Plano Paulson sobre o Knut Hamsun. Sensivelmente setecentos mil milhões de linhas sobre a infância – fases oral e anal abarcadas –, adolescência, puberdade, maioridade (atingi a maioridade antes da puberdade, ele não), vida adulta, vida geriátrica e vida paliativa do escritor Norueguês, Nazi nos tempos livres, Nobel em 1920, e ser humano execrável todos os restantes seiscentos e oitenta mil milhões (Plano Merkel) de minutos da sua vida terrena. Isto significa mormente que estou com um nível de paciência para ler o livro (Fome de Knut Hamsun, editado pela Cavalo de Ferro) equivalente à taxa de poupança da família média portuguesa. O que é um rude golpe auto-infligido (coberto no entanto pelo plano de saúde do Obama).

sábado, outubro 11, 2008

et Justice pour tous

quinta-feira, outubro 09, 2008

Roth, o insaciável punheteiro

"...atribuir o Nobel da Literatura a Philip Roth seria - mais ou menos, vá - o equivalente a eu ganhar os Super Blog Awards na Categoria de Melhor Blog Pessoal e dropinar, desse modo, o Pedro Mexia. É que Roth, meus amigos, apesar de grande escritor, eremita, septuagenário, judeu não-praticante, misógino, proto-esquerdalha, malandro como o melhor arroz de tomate e todas essas coisinhas que deveriam também ser equacionadas e tidas em linha de conta enquanto critérios avaliativos pela própria Academia, é - e antes que qualquer vozeirão insurgente se manifeste - um inveterado e insaciável punheteiro".

Soberbo texto do Miguel no Mal Menor.

quarta-feira, outubro 08, 2008

MEC

O Miguel Esteves Cardoso não gosta de caracóis fodasse. Finalmente! Anos a ser discriminado por não gostar daquelas merdas nojentas que vêm numa água que sabe a terra. O MEC, gourmet reconhecido, diz que tem boa boca e que a única coisa que não gosta são caracóis. Claro, naturalmente. Mais, tão gourmet, inteligente, ser-de-bom-gosto, fogoso, sexy e inteligente, diz que apenas provou uma vez e que não gostou. Óbvio. Caracóis provam-se uma vez e sabe-se que nunca se vai poder gostar daquela merda até ao fim da vida. Mais, a época de comer caracóis é particularmente dura para o homem que não gosta de caracóis, porque, normalmente, não se comem caracóis em sítios onde se come mais qualquer coisa decente. Fosse eu mais filosoficamente informado, escrevia um ensaio sobre a relação entre o nosso atraso relativamente à Europa e o facto de comermos caracóis.