quarta-feira, julho 28, 2010

arroz de povo

Por via da minha cara-metade, deram entrada ontem lá em casa três livrinhos muito interessantes sobre o povo enquanto fenómeno socio-político. Fascinantes efectivamente, qualquer um dos três, não deixaram de me oferecer um sorriso. Não é todos os dias que um livro patrocinado pela fundação EDP conta, (creio que o terceiro livro, não sei bem) exclusivamente, com traduções de António Negri, Slavoj Zizek, Eric Hobsbawm, Giorgio Agamben, Michel Foucault, Alan Badiou, entre outros reconhecidos pensadores da esquerda moderna, pós-moderna, pós-socialista e não sei mais o quê. Deixo por isso aqui três vivas, uma por cada livro, à fundação EDP. E uma pergunta, claro: alguém sabe quais as posições dos autores acima referidos sobre coisas tão interessantes como o grande capital?

O José Neves e o co-editor (cujo nome infelizmente me escapa e não estou em casa) estão de parabéns. Sobre a exposição que deu origem aos livros, podem (usar o plural para me dirigir aos leitores é, no momento que este espaço atravessa, pretensioso por demais) ver mais aqui.

ps. Mais a sério, eu acho fascinante a postura completamente pró-académica adoptada por uma instituição privada como a fundação EDP. Não é todos os dias que uma empresa entrega dinheiro para propagar ideias de uns gajos que, se no poder, provavelmente nacionalizariam a empresa e converteriam todas as barragens em termas.

quarta-feira, julho 21, 2010

Bloodhound Gang

sexta-feira, junho 18, 2010

a propos da morte de José Saramago

Para um optimista antropológico, as caixas de comentários dos jornais são uma realidade difícil de digerir.

terça-feira, junho 08, 2010

cadernetas

Quando escrevemos algo assumimos, de forma implícita ou explícita, um leitor ou uma leitora. Quando escrevo numa revista académica assumo que estou a escrever para um público que percebe o que estou a escrever (o único artigo que publiquei chamava-se 'Qual Pós-Positivismo?'; é capaz de não ter sido entendido por todo o público leitor da revista em que o publiquei, mas sempre deve ter sido percebido por mais gente do que se tivesse sido publicado na Caras). Se escrevesse num jornal, assumiria que estava a escrever para um público literato e inteligente - a menos que escrevesse no 24 horas. Daí que este tipo de argumento, recorrente sempre que há uma manifestação à porta da embaixada de Israel, me faça imensa confusão. É verdade que existe uma maior atenção sobre o que faz Israel. Daí a chamar-lhe anti-semitismo é um passo de gigante, mas adiante. O que não faz sentido é exigir que esses mesmos que se manifestam à frente da Embaixada de Israel se vão manifestar para a porta de outras embaixadas. Melhor, quem nos diz que não o fazem noutro fórum que não uma agressão de um Estado. Um deles pode ter estado à porta de um qualquer Pingo Doce nem há duas semanas a manifestar-se contra a política de pescas da Jerónimo Martins.

O mesmo se aplica para pessoas como o Henrique Raposo que esteve a manifestar-se à porta da Assembleia da República contra uma suposta asfixia democrática promovida por José Sócrates. Eu também não me lembro de ver essa malta toda à porta do edifício do Governo Regional da Madeira, mas contra argumentar assim não me leva a lugar algum.

Este tipo de generalização exacerbada e de cariz panfletário dirige-se claramente a uma franja - e faz sentido para essa franja. Acredito que um gajo de extrema esquerda se enfureça a ler um texto como o que cito. Como um gajo de extrema direita se irritará sempre que um gajo de esquerda vem defender que os emigrantes fazem cá falta. Mas se é esse o público que esses autores imaginam a ler as suas crónicas, eu recomendo-os vivamente a escrever no Avante ou noutro qualquer meio de comunicação que veicule ideias radicais. Os outros, os do meio, (acho que não sou só eu) querem pontos de vista e argumentos inteligentes, não um catálogo de incoerências sobre o que fazem ou deixam de fazer aqueles que são abertamente parciais e, porque não?, obtusos.

sanidade em afrikaan diz-se loucura

Aparentemente, segundo reza a lenda contada hoje no jornal da noite da Sociedade Independente de Comunicação, o jovem Nani lesionou-se na clavícula durante um exercício de treino de remates acrobáticos à baliza. Exacto, um exercício de treino de remates acrobáticos à baliza. As parcas imagens desse treino mostravam um gajo a cruzar bolas para a linha de grande penalidade, latitude onde um jogador nacional deveria saltar e tentar acertar na bola da forma mais acrobática possível. De volta ao estúdio, Clara de Sousa pediu a Pedro Santana Lopes, antigo primeiro ministro de Portugal, uma opinião sobre o assunto.

segunda-feira, maio 17, 2010

Cavaco

Cavaco Silva está em campanha eleitoral e é um gajo com convicções pouco firmes. É a mensagem que passa da comunicação de hoje. Hoje é um dia importante, cuja importância só tenderá a ser maior com o passar do tempo. Por isso, o melhor que há a fazer é esquecer as palavras de Cavaco e festejar.

E que belo dia para receber o Gil Scott-Heron em Lisboa.

domingo, maio 16, 2010

The National

Há que engolir sapos, especialmente quando eles são disparados directamente à nossa goela. High Violet, dos The National, é um álbum fora de série. Percebe-se isso à primeira audição. Não me peçam é para ouvir os anteriores. Pelo menos nas próximas duas semanas.

domingo, maio 09, 2010

já cá canta

quinta-feira, maio 06, 2010

RR

No sábado que passou passei uma boa hora e meia da minha tarde a conviver com o senhor Mário, no 4 Degraus ali em Campo de Ourique - leia-se a beber imperiais e reflectir sobre as actividades inerentes ao Strategic Client Focused Category Management. Às tantas, entra um tipo no café, pequenino, gordinho, carregado de anéis e com um bigode farfalhudo. O tipo pede um copo de vinho tinto (na gíria, um café frio) e desloca-se à casa de banho. Quando o sujeito voltava, o senhor Mário nota que lhe havia desaparecido a carteira que estava em cima da mesa. Pergunta ao gordo do bigode farfalhudo se tinha visto a dita. O gordo do bigode farfalhudo tirou-a do bolso. O senhor Mário, do alto do seu pedestal moral de quem vive a vender álcool aos habitantes do bairro (um ser humano mais moralmente digno que o Peter Singer) disse ao cabrão do gordo do bigode que ele tinha feito 'uma coisa feia'. Incrédulo, o senhor Mário voltou a repetir a afirmação anterior, desta vez com uma escolha de palavras ainda mais acutilante: 'o que você fez é nojento'. O senhor do bigode disse ao senhor Mário para chamar a polícia se quisesse. Foi um descuido, disse o gordo do bigode. É uma espécie de Ricardo Rodrigues.

quarta-feira, abril 14, 2010

Jorge Calado

Voltando a Jorge Calado (vide post anterior) queria partilhar convosco que estou bastante triste com a substituição de um tal de Dammann à frente do Teatro Nacional São Carlos. Naturalmente, de acordo com Calado, esta substituição é mais que merecida e apenas peca por tardia. O gajo só tem feito merda da grossa. Ainda assim, não consigo deixar de partilhar convosco que me está a custar imenso imaginar que o Jorge Calado já não vai ter uma razão óbvia para destilar escárnio de excelente qualidade.

Ainda assim, por outro lado (e apenas porque o António Guerreiro continua a escrever no Actual, o que me dá algum conforto metafísico), o afastamento de Dammann coloca o meu relacionamento com Jorge Calado num carrefour. Estão X hipóteses na mesa: ou Calado desloca o seu desdém para um tema igualmente ultrajante, que estava, até agora, subjugado à premência do affaire (atente-se à segunda palavra em francês) Dammann e não me desilude; ou Calado é um man on a mission, que veio ao mundo apenas e só com o intuito de acabar com o reinado de Dammann no Teatro Nacional São Carlos, o que, a acontecer, configura uma extrema desilusão para a minha pessoa; ou Calado começa a escrever sobre cultura de forma séria e competente, o que configura para mim algo que não estou preparado para prever de momento. Podem agora substituir o X por três, se assim entenderem.

Queria também, agora que escrevo com menos regularidade, dizer que estou absolutamente decidido em canonizar o Paulo Rangel agora que Bento XVI vem a Portugal.

Queria também, agora que escrevo com menos regularidade, dizer que estou absolutamente decidido em canonizar Paulo XVI agora que Bento Rangel vem a Portugal.