terça-feira, maio 05, 2009

"Research is providing support for the idea that creative people are more likely to have traits associated with mental illness. One study found that the incidence of mood disorders, suicide and institutionalisation to be 20 times higher among major British and Irish poets in the 200 years up to 1800. Other studies have shown that psychiatric patients perform better in tests of abstract thinking. Another study, based on 291 eminent and creative men in different fields, found that 69 per cent had a mental disorder of some kind. Scientists were the least affected, while artists and writers had increased diagnoses of psychosis."

No The Independent de hoje. Acho que era um pouco nítido para todos. Eu tive perfeita noção disso quando li que o Brian Wilson tinha aversão à água. O Beach Boy, esse mesmo.

sexta-feira, maio 01, 2009

magalhães

A turba acéfala, que busca de forma quase ensandecida 'a verdade' no caso do vídeo de propaganda do Partido Socialista, nunca deve ter visto o dito vídeo. Tão esfaimados estão por averiguar quem ordenou e quem cumpriu a ordem (se veio do Rato, se do Ministério, de Maria de Lurdes ou de José, quem gravou, quem autorizou a gravação) que não lhes li uma única linha sobre o vídeo em si. Ora, caso não tenham estado atentos, no vídeo ouve-se, em voz off, uma criança a dizer 'o Magalhães é o meu melhor amigo'. Existem quatro planos de actuação face a isto. O primeiro, mais urgente, requer que se encontre a criança que disse que o melhor amigo é um computador. A segunda, é averiguar se a criança não foi sujeita a waterboarding para dizer que um computador é o seu melhor amigo. A terceira, é saber quem é que é o gajo que decidiu que aquilo é boa publicidade. A quarta, é perceber como é que tanta gente discute o tema sem tomar atenção a isto. Armas de arremesso há muitas e a sua utilização não é exclusivamente dos políticos. É bom que a turba entenda isso.

quarta-feira, abril 29, 2009

i see danger in the eyes of a stranger (só Ferreira Leite me percebe)

Estamos em tempo de indagações metafísicas. É o terrorismo, Obama, a crise, a prática de tortura, piratas, eleições, Manuela Ferreira Leite. É um estado de ansiedade permanente. Por vezes, parece que essa ansiedade perene é interrompida. Que da maior das trevas, como do mais cinzento dos céus, pode irromper um raio de luz que anima e que nos permite continuar mais um pouco. No entanto, por tantas outras vezes, esse raio mais não é que um simulacro de uma verdadeira libertação, uma ténue representação de um ânimo vindouro que não virá. A miragem do oásis no deserto. Hoje, há três horas, esse simulacro dava-se pelo nome de Anni Rossi. Encontrei essa pequena senhora de Chicago, com ar de aldeã citadina (hei-de explicar o que é isto), aqui, passei a manhã a ouvir, e por instantes senti-me livre de desânimo. Senti-me assente numa coerência metafísica. Não passou de um devaneio fundacional (herdeiro da condição moderna), constato agora. A falsidade da imagem ataca quando menos se espera (o mundo espectral é o conforto máximo) e à menor provocação. Isto porque Anni Rossi fez um cover dos Ace of Base. Desconforto total, dúvida, receio voltam a assombrar-me. Questões essenciais que se julgam esquecidas voltam com renovada premência. Qual a melhor música dos Ace of Base? The Sign? Don't Turn Around? All That She Wants? Que angústia.

terça-feira, abril 28, 2009

nem o inimigo público me faz rir tanto

"Salvador, de 20 anos, estudante de Gestão na Universidade Católica Portuguesa (UCP), admite que pouco mais sabe acerca do Condestável do que o facto de ele se ajoelhar antes de cada batalha. E de ter entregue 'tudo' para se dedicar a Deus. Lopo, de 20 anos, estuda Agronomia e aprecia que, mesmo como guerreiro, D. Nuno Álvares Pereira tenha sempre procurado 'encontrar Jesus'. E Martim, de 22, aluno de Direito na UCP, orgulha-se do novo santo português que amanhã será canonizado pelo Papa Bento XVI: 'Um exemplo de vida'."

in Público, 25 de Abril de 2009.

Faz-me lembrar a história de uma vizinha de uns amigos meus que, depois de chamar aos três filhos Bruno, Marco e Pedro, chamou ao retriever Salvador.

quinta-feira, abril 23, 2009

tortura 2

Eu, que não sou nada de obrigar as pessoas a fazer coisas, aconselho vivamente a leitura deste artigo de Gary Kamiya sobre tortura. Arriscando parecer o Ricardo Araújo Pereira a imitar Marcelo Rebelo de Sousa, o argumento certo (isto da lógica dos argumentos é uma tremenda chatice) é algo do género: A tortura resulta? Sim. Existem situações de onde podemos extraír princípios éticos que legitimem a tortura? Sim. Verificam-se na realidade? Não. Devemos torturar? Não. Excertos:

"So the easy argument against torture, that it is ineffective, is wrong. Torture can work. Nor can one simply dismiss the philosophical "ticking bomb" debate. Even ethicists bitterly opposed to torture acknowledge that if that hypothetical situation -- endlessly depicted in Fox's TV show "24" -- actually existed, there would be a compelling moral and philosophical argument for torture in that instance. But in the real world, the "ticking bomb" situation never arises."

"Torture is not morally justifiable. In addition, it has severe negative consequences. Once a nation embraces torture, it forfeits any claim to a moral high ground. It becomes no better than those it is fighting. It may win a
battle, but it will lose the war."

"The Chilean writer and human rights activist Ariel Dorfman wrote, "Torture is, of course, a crime committed against a body. It is also a crime committed against the imagination. Or rather, it presupposes, it requires, it craves the abrogation of our capacity to imagine others' suffering, dehumanizing them so much that their pain is not our pain." Torture shatters the lives of those subjected to it, Dorfman writes. It corrupts not only the torturer, but all of society. "Torture obliges us to be deaf and blind and mute." (o bold é meu
)

tortura

Obama divulgou uma série de memorandos da época Bush sobre tortura, práctica também conhecida, em newspeak, por métodos de interrogação coercivos. Quando estas coisas acontecem, surge sempre alguém que atesta a utilidade dos métodos. A discussão em torno do hipotético ticking bomb scenario (um terrorista tem informação vital que pode impedir um atentado que vai acontecer num futuro próximo) parece quase tão inconsequente quanto a utilização de estados-natureza Hobbesianos como analogia da (aparente) imutabilidade da natureza humana. Contudo, estas situações 'hipotéticas' constituem importantes veículos de legitimação de prácticas que colidem com algumas das fundações mais elementares da nossa existência comunal.

Não concordando normal
mente com as ideias políticas de Zizek, tenho a dizer que a sua reflexão sobre tortura paira pela minha cabeça sempre que o tema vem à tona. Em entrevista a António Guerreiro para o suplemento Actual, dizia Zizek que discutir a práctica de tortura era um bocadinho como a sociedade questionar se haveria algum problema em violar mulheres. Obviamente que Zizek não é ninguém para dizer o que se deve discutir ou não. No entanto, acho que aqui ele tem toda a razão.

quarta-feira, abril 22, 2009

so what

Miles Davis e John Coltrane, senhoras. Aos dois minutos e vinte e oito podemos ver Miles Davis a fumar um cigarrinho enquanto Coltrane toca. O Jazz nunca fez mal a ninguém.

terça-feira, abril 21, 2009

da funk


Pode-se comprar estas bonitas miniaturas dos Daft Punk por trezentos e vinte euros (cento e sessenta euros cada um), aqui. Adorava ser os Daft Punk. Os dois ao mesmo tempo. Sou muito a favor da pesquisa genética.

marketing 101

Acho alguma piada ao cartaz da Dra. Manuela Ferreira Leite. Não acho que gostar do cartaz seja um sinal de maturidade democrática, mas não é feio de todo. Não sei que corrente artística será aquele retrato (realismo? impressionismo? expressionismo?), mas gosto. É pouco laranja, a cor de fundo parece verde (mas ninguém sabe ao certo) e vai bem com o tom de pele de Ferreira Leite. Agora, colocar um cartaz de Ferreira Leite ao lado de um outro de Helena Coelho é capaz de não ser uma grande ideia.

domingo, abril 19, 2009

os três duques é o filme adequado para ler textos sobre a crise

"It is difficult to get a man to understand something when his job depends on not understanding it."

Upton Sinclair, não sei bem onde, citado num artigo de Nitasha Kaul, cujo apelativo título é The Economics of Turning People into Things, disponível aqui, e que começa logo de mansinho com a seguinte frase: "economics does violence when it forgets that social science must also be moral".