segunda-feira, abril 13, 2009

isto é maravilhoso


"German synchronized swimmer Niklas Stoepel has won major national competitions, but he has still been banned from competiting at the international level. Officials in the sychronized swimming world, it seems, still aren't ready for men to participate in the sport."

Por favor vejam o resto da sessão fotográfica, é hilariante. O pacato mundo da natação sincronizada nunca mais será o mesmo.

...



Eu até nem me importava de dedicar uma quantidade séria de linhas para vos explicar porque é que a mais recente edição do World Affairs Journal (o Adam Kirsch, o Alex De Waal e o Nicholas Eberstatd escrevem lá) deve ser lida por qualquer ser humano que se preze. Contudo, de momento, estou ocupadíssimo a tentar perceber qual a melhor forma de colocar uma foto do Viggo Mortensen como pano de fundo. As capacidades de colocação de fotos como pano de fundo do windows deixam-me deprimido. Voltando ao WAJ, devo dizer que recomendo com mixed feelings. O Kirsch escreveu uma peça pedante sobre o Zizek há uns tempos e, que eu saiba, não se deu ao trabalho de responder a um comentário, escrito por um ser soberbo, que refutava e colocava no devido contexto todas as citações de Zizek que Kirsch usou. Por outro lado, o mesmo gajo escreveu um artigo muito interessante sobre Hannah Arendt, que está dobradinho dentro do meu exemplar de Eichmann em Jerusalém. Sobre o Alex de Waal não tenho nada a dizer que seja excitante. Sobre o Eberstadt, acho que devo dizer-vos que foi ele quem me alertou para o facto de os norte-coreanos serem, em média, vinte centímetros mais pequenos que os sul-coreanos (é capaz de não ser vinte). Este artigo mete, de novo, demografia. Mais precisamente, demografia e vodka (a importância do álcool nas ciências sociais tem sido subestimada). Mas, como ninguém é perfeito, o Eberstadt faz parte do American Enterprise Institute, onde milita o ex-embaixador dos EUA nas Nações Unidas durante a administração Bush, John Bolton (que é igualzinho ao Yosemite Sam). De resto, e entrando num registo mais autobiográfico, confesso que a minha vida continua limitada pelo facto de uma marca qualquer de roupa barata não ter apostado ainda numa colecção que imite as roupas dos Beatles nesse clip aí em cima.

quarta-feira, abril 08, 2009

Mocky 2

Que maravilha. O gajo toca bateria e canta ao mesmo tempo. E a voz não é nada do outro mundo, mas fica tão bem.

Mocky

O novo disco do Mocky está quase a chegar. Diz-se por aí que é maravilhoso.

espancamento em curso

"A review cannot convey how deeply unpleasant the experience of reading The Kindly Ones is. This is one of the most repugnant books I have ever read. Some may put aside its philosophical and aesthetic confusions, and take its utterly persuasive evocation of depravity as a sign of achievement. But if getting under the skin of a murderer were sufficient to produce a masterpiece, then Thomas Harris would be Tolstoy."

Ruth Franklin, na The New Republic sobre As Benevolentes de Jonathan Littell. Ainda não li uma única recensão boa sobre o livro escrita do outro lado do Atlântico. Desde o LA Times, à New Republic, passando pelo NY Times, ainda nenhum crítico disse bem do livro que foi um estrondoso sucesso na Europa. A de Franklin é a que usa as palavras mais fortes. Pôr as coisas nestes termos só me aguça o apetite.

quinta-feira, abril 02, 2009

Arendt


A associação do caso Fritzl com o de Adolf Eichmann tem sido repetida um pouco por toda a parte. A esse respeito, leia-se o que escreveu António Guerreiro no Actual desta semana:

"Ao utilizar essa noção, a filósofa alemã estava a deslocar o conceito Kantiano de 'mal radical'. Tendo assistido ao julgamento de um funcionário nazi, Arendt chegara à conclusão de que os actos eram monstruosos mas o responsável por eles era completamente vulgar, igual a toda a gente, sem nada de demoníaco, mais caracterizado pela falta de pensamento do que pela estupidez. Utilizando o qualificativo 'banal' onde todos esperavam ver 'radical' (e desse modo originando uma enorme polémica), H. Arendt entendeu que 'radical' é o que tem a ver com a profundidade das raízes, da vontade perversa e da maldade essencial das paixões. O que não era o caso daquele medíocre chamado Eichmann. E quanto a Joseph Fritzl?"

O texto acaba com uma pergunta que ninguém poderá responder com grande certeza. Não sei o que AG dirá das comparações entre Eichmann e Fritzl, mas, pela leitura que faço do seu texto, duvido que as aprove. No entanto, a comparação entre os dois homens tem sido recorrente. No escrita casual, para dar um exemplo (na caixa de comentários a este texto do Bruno Vieira Amaral está outro), o Gustavo Sampaio escreve:

"apelidar josef fritzl de "o monstro de amstetten" é como que um mecanismo psicológico de defesa contra o choque da banalidade do mal, que hannah arendt descobrira, em adolf eichmann, carrasco nazi que se declarava como um mero "funcionário que cumpria ordens superiores", no âmbito do julgamento de nuremberga. ou seja, o que é realmente chocante em fritzl é a sua banalidade, e mediocridade, patentes na maneira como se apresentou em tribunal, aceitando o veredicto com uma normalidade tranquila, passiva..."

Embora partilhe o incómodo do Gustavo Sampaio (quem não partilhará?) em relação à impassividade de Fritzl durante todo o julgamento, parece-me que AG toca no ponto pertinente com a questão que nos deixa. Existem, na minha opinião, diferenças substanciais entre Eichmann e Fritzl, e não imagino Arendt a escrever sobre a banalidade do mal em Fritzl, por diversas razões. Atrevo-me até a dizer que a comparação serve, em parte, para obscurecer alguns dos pontos principais do livro de Arendt. O que está ali em causa, como a autora faz questão de sublinhar por diversas vezes, é mais que Adolf Eichmann: é Eichmann enquanto indivíduo representativo de uma realidade maior e mais assustadora. Eichmann é a personagem-tipo de um estudo sociológico mais profundo. Mas já lá iremos.

Comecemos pela diferença mais básica. Existe, desde logo, uma clara dissemelhança entre Eichmann e Fritzl. Enquanto que o segundo aprisionou durante duas décadas a sua filha numa cave e a violou repetidamente, Eichmann nunca fez mal a ninguém com as suas próprias mãos. Arendt até duvida se ele seria capaz de o fazer. Um aspecto da 'banalidade do mal' é esse. Citando Arendt:

"The question was whether Eichmann had lied when he said: 'I never killed a Jew or, for thar matter, I never killed a non-Jew...I never gave an order to kill a Jew nor an order to kill a non-Jew'. The prosecution, unable to understand a mass murderer who had never killed (and who in this particular instance probably did not even had the guts to kill), was constantly trying to prove individual murder" (p. 215) (meu bold)

Outro aspecto da 'banalidade do mal' manifesta-se também a nível individual. Embora não tenha grande informação sobre Fritzl, não me recordo de ler em parte alguma que ele fosse pouco articulado ou intelectualmente incapaz de responder às mais simples questões. A esse respeito, leia-se, de novo, o que Arendt escreveu sobre Eichmann:

"To be sure, the judges were right when they finally told the accused that all he said was 'empty talk' - except that they thought the emptiness was feigned, and that the accused wished to cover up other thoughts which, though hideous, were not empty. This supposition seems refuted by the striking consistency with which Eichmann, despite his rather bad memory, repeated word for word the same stock phrases and self-invented clichés (when he did succeed in constructing a sentence of his own, he repeated it until it became a cliché) each time he referred to an incident or event of importance to him. Whether writing his memoirs in Argentina or in Jerusalem, whether speaking to the police examiner or to the court, what he said was always the same, expressed in the same words. The longer one listened to him, the more obvious it became that his inability to speak was closely connected with an inability to think, namely, to think from the standpoint of somebody else. No communication was possible with him..." (p. 49).

Repito o que disse no início: reduzir o conceito Arendtiano de 'banalidade do mal' a defeitos de personalidade individual (por muito monstruosos que sejam) é retirar uma lição incompleta do livro de Arendt. Embora o livro se intitule Eichmann em Jerusalém, Arendt fala de muito mais criminosos. Ao longo de vários capítulos, Arendt descreve os cruéis colaboracionistas que os alemães foram encontrando em diversos países – alguns mais monstruosos que os próprios Nazis.

A perspectiva sociológica do estudo de Arendt é a mais fascinante e incompreensível - tendo Eichmann como personagem-tipo, como já afirmei. A própria filósofa acaba com mais perguntas que respostas, como é inevitável sempre que o tema é o Holocausto. A conclusão sociológica mais simples e apetecível será aquela que, parcimoniosamente, procurará razões para o sucedido na natureza cruel do ser humano. Curiosamente, Arendt, uma judia alemã, forçada a emigrar, não retira essa conclusão (o Gustavo Sampaio caminha nesta direcção mais à frente no seu texto). Mesmo depois de tudo o que se passou, Arendt recusa admitir a existência de uma maldade inerente ao ser humano:

"...it was of great political interest to know how long it takes an average person to overcome his innate repugnance toward crime, and what exactly happens to him once he has reached that point". (p. 93)

As arrepiantes conclusões que Arendt retira da análise que faz ao Holocausto e a Eichmann, fornecem uma base empírica inigualável para validar a tese de Max Weber sobre o potencial das estruturas burocráticas. Eichmann era um burocrata que se limitava a cumprir ordens. Existe nos sistemas complexos uma diluição de responsabilidade moral que, em casos extremos, pode levar à total amoralidade. Eichmann, como repetiu mais que uma vez, limitava-se a cumprir ordens (O Leitor trata deste ponto) e nem percebia como podia ser acusado de cumprir aquilo que, à altura, estava correcto.

A 'banalidade do mal' que Arendt viu foi um mal comum a uma série de pessoas, pertecentes a diversos povos. Mais banal que Eichmann é a forma como o mal se torna uma coisa aceite pela generalidade de uma comunidade. Banal, é a forma como a 'repgunância inata' de que Arendt fala, desaparece. É a forma como os códigos do que é moralmente aceitável mudam com o tempo e sempre nas mais variadas direcções (o Holocausto foi o último prego no caixão na concepção liberal da História). Termino com mais uma citação, que isto já vai longo:

"Reck-Malleczewen, whom I mentioned before, tells of a female 'leader' who came to Bavaria to give the peasants a pep talk in the summer of 1944. She seems not to have wasted much time on 'miracle weapons' and victory, she faced frankly the prospect of defeat, about which no good German needed to worry because the Führer 'in his great goodness had prepared for the whole German people a mild death through gassing in case the war should have an unhappy end'. And the writer adds: 'Oh, no, I'm not imagining things , this lovely lady is not a mirage, I saw her with my own eyes: a yellow-skinned female pushing forty, with insane eyes...And what happened? Did these Bavarian peasants at least put her into the local lake to cool off her enthusiastic readiness for death? They did nothing of the sort. They went home, shaking their heads". (p. 110).

playboy

"Pronto, de facto, vêem-se maminhas na Playboy. Mas maminhas em abstracto não significam nada. É muito importante o contexto das maminhas, a envolvência das maminhas, a história das maminhas. Maminhas também se vêem nas reportagens de rastreios do cancro da mama, espalmadas naqueles vidros. E isso não é especialmente sexy. Para revistas de sexualidade duvidosa já temos a FHM, a GQ ou a Maxmen, revistas que consideram que uma sessão de fotos de modelos em fato de banho entre duas reportagens sobre a importância de hidratar a pele masculina e o segredo da sedução de George Clooney são coisas hetero."

Isto é muito acertad
o. Ide ler. Lourenço Bray n'O Nascer do Sol. Eu dou quarenta euros pela Guta Moura Guedes. Cem, vá.

quarta-feira, abril 01, 2009

boa nova

"The Geneva-based Human Rights Council was established in March 2006 to replace the 60-year-old Human Rights Commission, which lost international credibility after countries with abysmal rights records, such as Sudan and Zimbabwe, were allowed to join and thwart criticism of their actions.

The Bush administration refused to join the new rights body, saying it was not convinced that it represented much of an improvement over its predecessor. John R. Bolton, U.S. ambassador to the United Nations when the council was created, said at the time that the United States would have more 'leverage in terms of the performance of the new council" by not participating in it and thus signaling a rejection of "business as usual'."

A Administração Obama decidiu que os EUA se devem candidatar a um lugar no Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas. O Conselho substituiu a antiga Comissão dos Direitos Humanos que, como podem depreender pela citação, tinha graves problemas. Países como o Sudão e o Zimbabwe não podem fazer parte de nenhum organismo que defenda os Direitos Humanos. A decisão é bem-vinda. A miopia do ex-embaixador americano nas Nações Unidas durante a Administração Bush, John Bolton, é um belo exemplo do pensamento político da era W. Claro que os abusos não vão acabar, mas sem o empenho dos EUA ainda seriam mais complicados de resolver. A afirmação do multilateralismo na visão do interesse nacional americano é de saudar. Infelizmente, na política internacional, as coisas demoram tempo a mudar. Contudo, é bom ver que Obama e Hillary Clinton entendem que o interesse nacional dos EUA fica melhor servido através da participação em instituições internacionais. Lentamente, as coisas vão mudando.

segunda-feira, março 30, 2009

isto é extraordinário

"His speeches are oral presentations and lend themselves to dramatic reading, as do large parts of his narrative, including the Melian Dialogue. Thucydides can be appreciated in a public reading, but it would be difficult to grasp deeper layers of meaning*."

*I use this term because reading in the ancient world was done aloud, even that done privately. In the late fourth century, Augustine of Hippo was stunned to see Ambrose reading silently to himself.

Richard Ned Lebow, The Tragic Vision of Politics: Ethics, Interests and Order (Cambridge University Press: 2003), p. 129.

sexta-feira, março 27, 2009

é capaz de não ter mais de 140 caracteres

"All truth passes through three stages. First, it is ridiculed. Second, it is violently opposed. Third, it is accepted as being self-evident."

Schopenhauer, não sei bem onde.