quarta-feira, abril 14, 2010

Jorge Calado

Voltando a Jorge Calado (vide post anterior) queria partilhar convosco que estou bastante triste com a substituição de um tal de Dammann à frente do Teatro Nacional São Carlos. Naturalmente, de acordo com Calado, esta substituição é mais que merecida e apenas peca por tardia. O gajo só tem feito merda da grossa. Ainda assim, não consigo deixar de partilhar convosco que me está a custar imenso imaginar que o Jorge Calado já não vai ter uma razão óbvia para destilar escárnio de excelente qualidade.

Ainda assim, por outro lado (e apenas porque o António Guerreiro continua a escrever no Actual, o que me dá algum conforto metafísico), o afastamento de Dammann coloca o meu relacionamento com Jorge Calado num carrefour. Estão X hipóteses na mesa: ou Calado desloca o seu desdém para um tema igualmente ultrajante, que estava, até agora, subjugado à premência do affaire (atente-se à segunda palavra em francês) Dammann e não me desilude; ou Calado é um man on a mission, que veio ao mundo apenas e só com o intuito de acabar com o reinado de Dammann no Teatro Nacional São Carlos, o que, a acontecer, configura uma extrema desilusão para a minha pessoa; ou Calado começa a escrever sobre cultura de forma séria e competente, o que configura para mim algo que não estou preparado para prever de momento. Podem agora substituir o X por três, se assim entenderem.

Queria também, agora que escrevo com menos regularidade, dizer que estou absolutamente decidido em canonizar o Paulo Rangel agora que Bento XVI vem a Portugal.

Queria também, agora que escrevo com menos regularidade, dizer que estou absolutamente decidido em canonizar Paulo XVI agora que Bento Rangel vem a Portugal.

quinta-feira, abril 08, 2010

a hérnia


Tenho tanta coisa para vos dizer que vocês nem imaginam. Contudo, e antes de fazer a minha prosa magnífica deslizar pelos vossos olhos (coisa que só deve acontecer para a semana), queria apenas que lessem o excelente texto do Jorge Calado no suplemento Actual do jornal Expresso. Queria ainda partilhar convosco que desconfio ter uma merda enganchada aqui entre duas vértebras das costas o que, a confirmar-se, seria a segunda merda lá enganchada num espaço de de 27 anos. Esse dado diz muito sobre a minha forma física. À atenção da malta do Pordata.

segunda-feira, março 22, 2010

jovem lazarescu incentiva a violência de acordo com reconhecido sociólogo - take 1

Este texto de Alberto Gonçalves é das coisas mais lamentáveis que tenho lido. É fraco, mal informado e cretino. Como não há melhor maneira de acabar com os preconceitos e com a ignorância do que através da informação, este espaço vai começar, a partir deste momento, a colocar à disposição da cara leitora uma série de vídeos de canções de hip-hop que não servem como "atitude de confronto face a uma sociedade que é, ou que se imagina, discriminatória", nas palavras de Alberto Gonçalves.

Esta rubrica é capaz de durar, dependendo da evolução da minha garganta arranhada, os próximos dois minutos e meio.

sexta-feira, março 05, 2010

pré-reserva

Como já há uma série de tempo que não nasce nada neste país (no outro dia tive uma hora a olhar para o Pordata e nesse tempo morreram dois portugueses e nasceu um, o que não é positivo) temo que o conceito de pré-reserva não tenha sido invenção nossa. Ainda assim, pelo ranço que todo o processo de pré-reserva emana, das duas uma: ou o inventámos nós ou utilizamo-lo como ninguém.

Não sei o que é uma pré-reserva. Já perdi bastante tempo de telefonemas que supostamente serviriam para marcar um restaurante a falar de pré-reservas. Ainda no outro dia, fiz uma pré-reserva para as 22. Uma pré-reserva para as vinte e duas equivale, segundo a senhora que me atendeu, a absolutamente nada. Eu pré-reservei uma mesa para as 22, mas não tinha nenhuma garantia de ter uma mesa às 22. No fundo, serve para uma pessoa passar imediatamente para a frente da fila de quarenta pessoas sem pré-reserva, não garantindo, contudo, que não tenhamos que esperar até às 22 e 55 por uma mesa. Este restaurante, tão rendido está ao conceito, que já nem aceita reservas. Se calhar só se pode reservar com pré-reserva.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

New Left Review

"New Left Review at 50: no balloons, of course, and definitely no party games. The very idea of "celebration" smacks of consumerist pseudo-optimism. Mere chronology is, after all, an untheorised concept. We should see it as not so much an ­anniversary, more an over-determined conjuncture".

(...)

"When so much of even the so-called "serious" media is given over to celebrity-fuelled ephemera and the recycling of press releases and in-house gossip; and when the academic world is struggling to mitigate the worst effects of funding-driven overproduction and careerist modishness; and when national and international politics seem to consist of bowing to the imperatives of "the market" while avoiding public relations gaffes; then we need more than ever a "forum" like NLR. It is up to date without being merely journalistic; it is scholarly but unscarred by citation-compulsion; and it is analytical about the long-term forces at work in politics rather than obsessed by the spume of the latest wavelet of manoeuvring and posturing. Despite its self-description in its guidelines for contributors, the journal is not in any obvious sense "lively". It is downright difficult (but none the worse for that), because what it tries to analyse is complex and its preferred intellectual tools are often conceptually sophisticated. It is difficult where being easy would be no virtue, difficult where aiming to be "accessible" would mean patronising its readers, difficult where ideas need to be chewed rather than simply swallowed. That's what I admire above all about NLR: its intellectual seriousness – its magnificently strenuous attempt to understand, to analyse, to theorise."

Transcritos estão o primeiro e o último parágrafo de um muito interessante texto, publicado no Guardian, sobre os 50 anos da New Left Review. A New Left Review é um daqueles journals (não sei como se diz em português, mas aquilo não é uma revista científica) que toda a gente, da direita à esquerda, deveria ler. Aliás, constatar que muita direita e muita esquerda apenas conhece os autores que formaram o pensamento oposto por interposta pessoa é meio caminho andado para terem uma conversa de surdos.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

blogues

Este espaço bonito onde eu debito as minhas barbaridades, mais emocionais que racionais, quase acéfalas, tem-se tornado um lamaçal nojento nos últimos tempos. O combate político, diz-me quem cá anda há tempos (e sei porque li muito para trás) sempre fez parte deste tipo de escrita na internet.

O único blogue que pesquisei a fundo foi a Coluna Infame, do Pedro Mexia, do Pedro Lomba e do João Pereira Coutinho. Pesquisei porque sempre me disseram que tinha sido a génese dos blogues políticos e porque respeito intelectualmente todos os autores. Gostei de muito de muito do que li e confesso que não percebi tudo o que por lá se passou. Muitas ligações são para locais que já não existem há muito tempo.

Reconheço o perigo de estar a romantizar a coisa e não estou aqui assim há tanto tempo. Durante bastante tempo, vi nos blogues um espaço que nasceu contra a política e contra a informação disponível pelos canais tradicionais. Era um espaço livre, pouco influenciável, onde pessoas, nem sempre educadas mas com gosto pela discussão elevada, trocavam ideias sobre muita coisa. Misturavam-se com prazer, arte, cultura, aspectos pessoais e aspectos emocionais. A política era matéria do desabafo. Os blogues eram espaços cheios de si próprios. Transbordavam as pessoas que neles escreviam - os seus intelectos, o seu quotidiano e os seus sentimentos - com uma naiveté de quem nunca tinha partilhado com cuidado muitas das suas ideias, dos seus pensamentos, dos seus interesses, hábitos, paixões, desgostos e, como não o fazer?, ideais políticos.

No entanto, sinto que hoje os blogues políticos, com raras excepções, apanharam todos os vícios da política em geral. Não falo dos blogues criados para o efeito de eleições ou combates ideológicos. São bons, legítimos, abertamente políticos e interessantes. Uma parte substancial da forma como eu entendo, politicamente, o mundo provém daí. Muita da informação com que construo e reformulo as minhas convicções vem daí. Os blogues são uma das minhas maiores fontes de food for thought.

Hoje, mais que ideias, leio nos blogues insultos e insinuações. Histórias mal contadas. Vejo, com mais regularidade que gostaria, situações que se pontuam por um aberto desrespeito. Chamar mentiroso a outrem é regra. Reagir a quente é o mais comum.

Isto tornou-se um terreno podre e sujo, onde se jogam os nomes de muita gente com valor e muito inteligentes. Um amigo que vive fora perguntava-me hoje, entre e-mails, se eu achava que Portugal estava a entrar em 'território moral bastante escorregadio'. A julgar pela evolução dos blogues, temo que terei que responder que sim.

PSD

Um rompe, um muda, outro unifica.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

RPS

Acho maravilhoso o rebuliço em torno da providência cautelar pedida por Rui Pedro Soares e emitida por um qualquer tribunal lisboeta. Que raio de gajo, tendo ao seu dispor tal mecanismo, e entendendo que dele deve fazer uso, porque a situação assim o exige, optaria por não o utilizar? Censura, tentativa de condicionar a imprensa, ofensa ao espaço público dizem. Deixem-me rir e de boca aberta. Claro que o 'espaço público' é importante. A democracia também. O Estado de Direito idem. Só não sei o que esperavam de qualquer outra pessoa. Se acham que estão rodeados de Estadistas exemplares, ou de pessoas que valorizam o 'espaço público' mais do que a sua própria liberdade, estão profundamente enganados.