terça-feira, março 24, 2009

dazzling

"Valéry’s circle of contacts remains dazzling. He was intimate with leading poets and writers (Mallarmé, Gide, Rilke); he worked alongside Hugo von Hofmannsthal, Thomas Mann, Gabriele d’Annunzio, John Galsworthy and Stefan Zweig; he exchanged ideas with André Malraux, Jean Giraudoux, Colette and Paul Claudel (but also with George Meredith, Arnold Bennett, H. G. Wells and Aldous Huxley); his lectures at the Collège de France were an influence on Jacques Lacan, Roland Barthes, Michel Tournier, Yves Bonnefoy and Paul de Man. Who else with such a profile could also have had Einstein as trusted interlocutor and colleague, discussed atoms with Niels Bohr, or the crisis of representation in sciences with the likes of Paul Langevin and Émile Borel; compared notes with Ravel and Stravinsky, Degas and Picasso; collaborated with Bergson and Sir James Frazer; interacted with both Pétain and de Gaulle; interviewed Mussolini and crossed paths with an entire gallery of Europe’s interwar power-brokers? To say nothing of the cast list of princesses, duchesses, countesses and other denizens of the cosmopolitan, high-society Paris salons who provided the writer with dinners, contacts, funding, entertainment, country-seat vacationing, confidantes and lovers."

Recensão de Paul Gifford no Times Literary Supplement, sobre a nova biografia de Paul Valéry da autoria de Michel Jarrety.

segunda-feira, março 23, 2009

Honoris Causa

O repórter da Sic afirma que a Faculdade de Motricidade Humana parou para que Mourinho receba o prémio Honoris Causa, o mais importante daquela faculdade (e Mourinho ainda nem recebeu o prémio). É na FMH que Gonçalo M. Tavares dá aulas de Epistemologia da Motricidade Humana. Epistemologia será, por certo, um dos assuntos centrais do discurso de agradecimento de Mourinho. Ali a Epistemologia terá um papel central, ao invés do que acontece no balneário, onde a Ontologia e a Metodologia post positiva dominam as metanarrativas. Segundo as más línguas, a saída de Mourinho do Chelsea deveu-se mais a um desentendimento com Abramovitch sobre o real papel de Kojéve na questão da necessidade de Síntese no Hegelinismo não-dogmático do que propriamente com desacordos sobre a política de contratações. Moratti, como todos sabemos um Habermasiano compulsivo, não olhou a meios e contratou o técnico português. Segundo o Corriere della Sera, Mourinho tem cumprido bem aquilo a que se propôs: temperar o Delleuzianismo de Ibrahimovic, que resultados tão desastrosos tinha trazido ao internacional sueco (durante anos, Ibrahimovic pensou ser necessário desterritorializar a sua produção futebolística de um lado para o outro para quebrar as tendências reprodutivas do capitalismo post Fordista). O ex-internacional português Luís Figo tem também desempenhado um papel importante. Figo, conhecido pelas suas leituras Straussianas dos grandes clássicos da filosofia grega, tem sido, com o seu domínio da Maiêutica, central para o controlo intelectual do astro sueco.

ps. Podem encontrar aqui o currículo da muito interessante disciplina que Gonçalo M. Tavares lecciona. Um dia destes ainda me inscrevo.

sexta-feira, março 20, 2009

libritalia

Não podia deixar de dizer que a livraria italiana, libritalia, tem um dos melhores sistemas de encomenda de livros que eu conheço. Liguei para lá a perguntar pelo livro que queria. Só tinham a edição de capa dura que custa dezanove euros, se não estou em erro. Perguntei quanto custaria o de capa mole e disseram-me custava treze euros, mais um euro e cinquenta cêntimos por causa da encomenda. Um euro e cinquenta! La Casta custou-me quatorze euros e cinquenta cêntimos. Chegou uma semana depois de o ter encomendado. Da última vez que tentei encomendar um livro na FNAC disseram que demorava dois meses a chegar. No El Corte Inglés, quis comprar o 2666 do Bolaño para oferecer, disseram que tinha que esperar também um mês e tal. A libritalia tem também uma boa oferta de livros italianos a preços reduzidos. A qualidade da edição de livros em itália é algo que eu subvalorizei quando lá estive (sobrevalorizei o álcool), e de que me arrependo imensamente. Os livros editados são bonitos, cuidados, têm bons prefácios e introduções, e são vendidos a preços muito acessíveis (Itália tem uma história de excelentes editores e de excelentes casas de livros como a Feltrinelli e a Einaudi). Na libritalia encontramos livros de Pavese, de Bassani e de Buzzati a menos de dez euros. Para além de livros há também ciclos, cursos e tertúlias. Hoje mesmo, às seis e meia da tarde, o escritor Valerio Evangelisti vai tentar responder à questão "para onde caminha a literatura italiana?", naquilo que será mais uma troca de impressões do que uma conferência propriamente dita.

A Casta

Da contracapa:

"Che futuro ha un Paese dove un consigliere regionale abruzzese guadagna più del governatore della California? Dove il Quirinale costa il quadruplo di Buckingham Palace ma taglia il 3 per mille? Dove le spese dei Palazzi del potere continuano a crescere, il presidente della Camera fa il sub in acque proibite e il premier raggiunge la beauty farm preferita con un elicottero della Protezione civile? Dove tutto cambia perché niente cambi? No ci avevano promesso una politica più sobria?"

Fui ontem buscar à livraria italiana (um espaço muito simpático na rua do Salitre) um exemplar desse interessante livro escrito por dois conceituados jornalistas italianos. É um livro sobre a classe política italiana. Ou melhor, é um livro sobre o estado vergonhoso a que chegou a classe política italiana. O livro teve um tremendo êxito em itália. Começou por ter uma tiragem de trinta e cinco mil exemplares e acabou por vender, entre Maio de 2007 e Outubro de 2008, um milhão e duzentos e cinquenta mil exemplares. Foi reimpresso trinta e uma vezes. Como não podia deixar de ser, a classe nojentinha que o livro criticava optou por o usar para os seus fins. Berlusconi, na altura na oposição, disse que tinha La Casta na mesa de cabeceira (debaixo da obra completa de Mário Puzo presume-se). Mas mesmo essas manhas, tão comuns, foram insuficientes. O livro tornou-se um tremendo sucesso e mostrou aos italianos como uma classe inteira usa o bem público para proveito próprio.

Tomei conhecimento deste livro através deste excelente artigo de Perry Anderson na London Review of Books. Gostava imenso de ver alguém do calibre intelectual do Perry Anderson a escrever um texto sobre Portugal e acho que não se perdia nada se este livro fosse traduzido para português.

quinta-feira, março 19, 2009

terça-feira, março 17, 2009

pop up

Continuo a não perceber bem porque é que em cada programa em que se debate o casamento entre pessoas do mesmo sexo está sempre presente um membro da igreja (que eu saiba, sempre católica). Toda a gente sabe que o que está em discussão é o acesso ao casamento civil e não o acesso ao matrimónio religioso, e que sobre o primeiro a opinião da igreja é irrelevante (além de conhecida e inalterável). Faz-me lembrar uma coisa que havia no VH1, e que eu via em casa da minha avó, que eram os pop-up videos. Os pop-up videos eram clips nos quais apareciam umas bolhinhas que davam informação sobre a canção. Com a diferença que a informação tinha a ver com a canção e ali não tem.

domingo, março 15, 2009

epitáfio

Era uma vez um cavalo que vivia num lindo carrossel.

sábado, março 14, 2009

Blue Train


Uma pessoa chega a certos momentos na sua vida em que a vida parece que não significa absolutamente mais nada do que aquilo que significou nos momentos anteriores. Ainda assim, gostava de partilhar convosco que, se tivesse que escolher, hoje, uma só canção para ouvir até ao fim da vida, essa seria o Blue Train do John Coltrane. Está lá tudo. De momento é esta a minha verdade. O álbum acaba de ser reeditado em Portugal se não me engano.

sexta-feira, março 13, 2009

muito gira esta canção gentis senhores

o Saadiq tem uma pele óptima



Acabei de ver uma criancinha de treze anos a discursar durante dois minutos na reunião de um qualquer movimento Conservador americano. Podem ver a aberração aqui. Eu, um teutão desdentado que ainda não aderiu à pasteurização dos produtos lácteos, sou sem dúvida muito estúpido, mas digam-me: serei só eu que acho paradoxal uma criança de treze anos ir falar de Principled Conservatism a uma reunião de um movimento Conservador? Um dos princípios do Conservadorismo não devia ser que a crianças de treze anos deviam estar a fazer o que quer que as crianças de treze anos fazem?