terça-feira, dezembro 16, 2008

Benito Cereno

Depois de elaborada ponderação, que durou mais de dois anos e um excessivo esforço mental, chego à conclusão que o melhor blogue que conheço é este: http://caferepublica.blog.com/. Um espaço com bons textos, melhores imagens, e um motivo absolutamente soberbo, que é os prazeres de frequentar um café. O momento desta declaração é oportuno para a minha genealogia existencial, no sentido que vaticino que os cafés se tornarão, durante o próximo ano de crise, o local onde a malta desempregada passará grande parte do tempo. Posto isto, informo que já reservei uma mesa no Kaffeehaus no Chiado - mesa dupla, quem entra à esquerda - onde passarei grande parte dos meus dias e alguma parte das minhas noites. Comerei pratos de queijos, beberei cafés e cerveja, e aproveitarei para repreender o animal que escreveu erdapfelsalat em vez de kartoffelnsalat no menu. Existem ainda planos para começar a produzir um podcast onde eu e outros seres igualmente incompetentes, dissertaremos sobre o estado do mundo, das artes, da música, da filosofia e da política. São todos bem-vindos. As primeiras datas serão aqui anunciadas. Preferência será dada a perfeitos anormais (para não destoar).

quarta-feira, dezembro 10, 2008

simply havin'

Claro que apenas um Beatle poderia colocar todo o psicadelismo inerente à época, numa canção de natal. A melhor canção de natal. Reza a lenda que, em 1979, a peúga de natal de McCartney estava cheia de LSD.

terça-feira, dezembro 09, 2008

sensibilidade conservadora

"Quero eu dizer - continou, - que há pessoas, indiferentes a tudo, desprovidas de qualquer sentimento de piedade, mas que não desdenham as desgraças alheias desde que nelas intervenham e porque, acima de tudo, temem que as coisas se possam remediar sem a sua intervenção. Nada é sagrado para a sua enorme presunção".

Anton Tchekov, A minha mulher, versão Luiz Pacheco, Quasi.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

isto é capaz de ser um pouco demais para mim


Artigos sobre a existência de OVNIs que fundamentam e constituem o conceito moderno de soberania, confesso que não me chateiam particularmente. Acho curioso, tenho algum interesse, até já pedi que me facultassem o dito artigo (sublinhe-se a palavra artigo, algo que não tem mais de que uma trintena de páginas). Agora essa merda aí em cima já me custa a engolir. Harry Potter and International Relations, que nome horrível. Que raio de gajo é que pensou em escrever um livro sobre o Harry Potter e as relações internacionais? Pior, que gajos é que pensaram editar um livro com contribuições de gajos que escrevem sobre o feiticeiro púbere e as relações internacionais? 224 páginas disto, ajudem-me por favor. Vá, até pode ser que tenha algum interesse tocar ao de leve no tema (é efectivamente o que as criancinhas do mundo todo lêem). Admito que até possa justificar um artigo ou até um capítulo num livro qualquer. Agora um livro apenas e só sobre o Harry Potter e as Relações Internacionais? Passaram-se.

Esperem aí (que estou a ter uma quebra de tensão e preciso de beber um pouco de néctar de papaia) que há pior. Acabo de perceber que existem mais livros sobre o Harry Potter e as ciências. Estava a pensar dar este a um puto qualquer da minha família: Harry Potter and Philosophy: If Aristotle Ran Hogwarts. Chamo a vossa atenção para este trecho da sinopse que o Amazon oferece:

"Individual chapters look at such topics as life revealed in the Mirror of Erised; the ethics of magic; Moaning Myrtle, Nearly Headless Nick, and the relation of the mind to the brain; and the character of Hermione as a case of "sublimated feminism."

A minha prima de onze anos falou-me uma vez do caso da Hermione enquanto uma 'feminista sublimada', presa numa estrututa semiótica falocêntrica, mas eu disse-lhe que era demasiado cedo para avançar com tais conlusões, até porque ela ainda nem tinha lido Saussure (agora já leu). Ao que parece ela tinha razão. Mas há mais. Para ficarem com um quadro completo - a comensurabilidade de uma abordagem crítica holística ao Harry Potter ainda está em debate - é indispensável que tenham à mão os dois volumes que completam a tetralogia. Falo-vos claro de Critical Perspectives on Harry Potter por Elizabe Heilman e do não menos importante The Psychology of Harry Potter: An Unauthorized Examination of the Boy Who Lived, editado por Neil Mulholland.

Já agora, na esperança de algum editor frequentar esta espelunca que eu alimento, aproveito para informar que estou desempregado e por isso disponível para avançar com a coordenação do importantíssimo e inadiável From Pessoa to Gonçalo M. Tavares: Towards a Potterian Reading of Portuguese Modernist Literature, na condição de a minha prima Maria (a dos onze anos, agora doze) poder contribuir. Preferência será dada às edições Piaget.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

proliferar

Todos já abandonámos bombas nucleares algures. E depois assinamos, comprometidos tratados de não proliferação. E proliferamos, e continuaremos a proliferar, sempre com a esperança que a radioactividade se dissolva. Na água.

quinta-feira, novembro 27, 2008

change?

"Mr. Summers has spent much of his career tweaking fellow liberals with arguments he considers unpleasant truths — on the dangers of budget deficits, the benefits of capitalism and other subjects. But he seems to have decided that conservative orthodoxies have become a vastly bigger threat to good economic policy than liberal ones. His favorite argument today is one that instead drives some conservatives nuts.
It goes like this: To undo the rise in income inequality since the late ’70s, every household in the top 1 percent of the distribution, which makes $1.7 million on average, would need to write a check for $800,000. This money could then be pooled and used to send out a $10,000 check to every household in the bottom 80 percent of the distribution, those making less than $120,000. Only then would the country be as economically equal as it was three decades ago".

David Leonhardt, "The Return of Larry Summers", New York Times, 25.11.08.

É este o plano de combate à desigualdade que defende o principal conselheiro económico de Barack Obama, Larry Summers. Segundo o próprio, a desigualdade de rendimento entre ricos e pobres é o assunto principal do nosso tempo (na América claro, a nível global é um assunto secundário). Embora tenha as vias nasais totalmente obstruídas, isto tresanda a mudança (se bem que Summers é um personagem com piada, nada ortodoxo mesmo).

quarta-feira, novembro 26, 2008

Beauty in Distortion


segunda-feira, novembro 24, 2008

funkmosphere




Embora o vídeo promocional possa enganar - a mim quase me enganou - este club, chamado Funkmosphere, acontece no ano do Senhor de 2008, todas as segunda-feiras, em Culver City, Califórnia. A LA-Weekly considera-o o local com o melhor Boogie Funk. O disc jokey de serviço é o Dam Funk, personagem que descobri esta semana no catálogo da Stones Throw. Para ilustrar o quão cool a festa é basta ver a cara de pura felicidade do Joaquin Phoenix, que não tem quaisquer problemas em: (1) ir lá sem tomar banho há duas semanas; (2) com o irmão do Ben Affleck.


sábado, novembro 22, 2008

the rest of us

"When I read Robert Ferguson's biography of Hamsun to prepare this essay, I must admit that I became so disgusted by the great writer that his excellence as an artist suddenly seemed trivial, even irrelevant. His history poses the same problem as the cases of Louis-Ferdinand Céline and Ezra Pound. People who are indifferent to art have no problem dismissing them out of hand. Aesthetes without a conscience enjoy them without a second thought. The rest of us have to face the unresolvable paradox that these key figures in twentieth-century literature are morally intolerable and artistically indispensable".

Edmund White, "Knut Hamsun", Review of Contemporary Fiction, vol. 16 (Fall, 1996).

sexta-feira, novembro 21, 2008

Just Ain't Gonna Work Out

Não há qualquer respeito. Isto é tão bom que estou com pontadas no diafragma e ainda só ouvi uma vez. Uma única vez. E é (pasmem-se) de 2008. Mayer Hawthorne, senhoras e senhores. Música para bons break-ups.